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CIMEIRA DO DESPORTO, Caldas da Rainha, 20 de Abril de 2002 INTERVENÇÃO DA A.P.M.D. Saudamos, em primeiro lugar, a Confederação do Desporto de Portugal e o Comité Olímpico de Portugal pela realização desta Cimeira e sobretudo pelo convite feito a este conjunto de organizações não governamentais, promovendo desta forma, e pela primeira vez, um encontro deveras alargado que propícia a reflexão conjunta. Gostaríamos também de agradecer aos organizadores o trabalho de redacção do texto base para discussão e acolhimento nesta sessão de trabalho. Permitam-nos ainda expressar o nosso desejo que encontros como este possam vir a ter lugar regularmente, não só porque o debate nos enriquece, mas principalmente porque é benéfico para a base de argumentação a utilizar quer da Confederação, quer do Comité Olímpico, nos locais onde formalmente estão representados e nas estruturas e instituições que influenciam. Lembremo-nos por exemplo que apenas duas das ONG’s aqui presentes estão representadas no Conselho Superior do Desporto. Sem querermos alterar a metodologia de trabalho, gostaríamos de apresentar, de forma resumida, a nossa apreciação global do documento base. 1. Apreciação global Este documento inventaria cinco causas fundamentais do impasse desportivo nacional, tratando-se por isso de um diagnóstico sumário, que aponta algumas das características negativas destas quase três décadas de vida democrática, um percurso não qualitativo que é o resultado de uma ausência sistemática, quase inacreditável, de linhas políticas de desenvolvimento, orientadoras de objectivos e acções específicas para o desporto nacional. Este documento não é, contudo, um diagnóstico abrangente, talvez pelo facto de as entidades organizadoras se terem decidido manter na sua área tradicional de influência: o movimento associativo federado. Dado que é suposto apresentar, no final dos nossos trabalhos, a “Declaração da Cimeira”, e para que possamos evitar uma imagem pública de preocupação meramente operativa, sugerimos desde já, que o texto final possa conter, ou se possa fundamentar em princípios conceptuais, internacionalmente aceites, nomeadamente os que referem o desporto como prática humana de relevante significado social, as que encaram a educação física e desporto escolar como áreas fundamentais de desenvolvimento humano, e as que defendem o direito do desporto para todos e para todas. Propomos ainda, que seja visível nesta Declaração, uma vontade em contribuir para a alteração “do estado das coisas”, e que de forma positiva, possa ser sugerida a necessidade de uma definição da política desportiva nacional a prosseguir, definição cujo método deverá passar pela consulta sistemática aos parceiros sociais propondo ainda os necessários recursos e financiamentos públicos. Neste documento deverá ainda ser sublinhada e ressalvada a responsabilidade do Estado na existência de estruturas e serviços públicos adequados às necessidades de um projecto desportivo nacional, no desenvolvimento de projectos que promovam o acesso e a generalização da actividade física e desportiva, e naturalmente a definição do seu papel regulador, que cabe ao próprio Estado, na vida desportiva nacional. 2. A nossa posição Para terminar esta primeira apreciação, gostaríamos de nos apresentar e de referir, sumariamente, alguns aspectos relacionados com a nossa actuação: - Somos uma associação de constituição recente e em fase de arranque, e o nosso objecto é o de promover o aumento da participação das mulheres no desporto, a todos os níveis, funções e áreas de competência; - O número de pessoas associadas, mulheres e homens, não é grande – somos 308; - A nossa acção desenvolve-se, à partida, com enormes resistências: a maioria dos agentes das organizações do sistema desportivo não está disponível para equacionar e debater transformações nesta área. Socorremo-nos de alguns dados publicados pela administração pública desportiva para ilustrarmos um problema que consideramos nacional: FACTO A participação desportiva das mulheres decresceu nos últimos 10 anos e é a mais baixa da União Europeia: 18% em 1998; 14% em 1998. FACTO O abandono da prática desportiva das mulheres é da ordem dos 70%. FACTO A participação federada das mulheres portuguesas é de 1%; nos homens é de 8% FACTO As raparigas e mulheres inscritas nas federações representam apenas 16%; o sector masculino é 84%. FACTO 3, é a percentagem de mulheres que ocupam lugares nas direcções das federações; 97% são homens. O conhecimento destes “pequenos” factos origina, geralmente,
o seguinte comentário dos responsáveis desportivos: “As
mulheres não querem”. |
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