No dia 10 de Dezembro de dois mil e onze, reuniram-se no Município de Alcochete, Isabel Cruz e Daniela Costa em representação do projecto “O Jogo das Raparigas”, com o Vereador do Desporto José Luís Alfélula e o Chefe da Divisão do Desporto Francisco Pinheiro.
Isabel Cruz fez um balanço das actividades do Projecto (470 acções das quais cerca de 60 dizem respeito a reuniões com autarquias) com menção para o debate desencadeado com os encontros locais, regionais e internacional que desencadearam a apresentação de três grandes áreas de actuação no conjunto de propostas apresentadas pelo projecto: Iniciação e formação, quadros competitivos/custos e invisibilidade.
Foi também feita a sensibilização para a necessidade de incluir a possibilidade de participação das raparigas nos jogos do Futuro (Península de Setúbal) nas modalidades de futebol e de futsal adequando os escalões às idades em que a participação das raparigas se torne viável.
Quanto à análise da prática federada de futebol/futsal em Alcochete foi realçada a existência (dados de 2010-11) de 6 clubes com prática de futebol11/futebol de 7/futsal no Concelho. Dos 6 clubes com estas modalidades apenas a Casa do Benfica de Alcochete tem prática feminina organizada (com 2 equipas), isto porque das 42 atletas inscritas, 41 estão nesta colectividade. Dos 533 praticantes destas três modalidades apenas 42 são mulheres (7,88%).
Neste âmbito a APMD sensibilizou o Sr. Vereador José Luís Alfélula para as questões da igualdade no desporto, principalmente, nos desportos colectivos – desportos onde ainda se verifica um desequilíbrio muito acentuado dos indicadores de prática federada, entre rapazes e raparigas – homens e mulheres; e claro está, no futebol e futsal, muito por causa da carga cultural que lhe está associada. Foi ventilado o facto da prática das raparigas no futebol/futsal ser complicadíssima nos escalões federados “até júnior” e referida a figura de um campo de futebol com 300 rapazes e apenas 2 raparigas para ilustrar a desigualdade. Neste aspecto as câmaras municipais podem ter alguma intervenção para que os clubes possam acolher mais equipas femininas.
O vereador do desporto realçou que a C.M. de Alcochete não faz discriminação da prática feminina mas que o aumento da prática depende fundamentalmente da vontade dos clubes e que a autarquia tem procurado sensibilizar os clubes para a importância desta prática. Referiu também que as actividades promovidas pela C.M. de Alcochete são destinadas a pessoas de todas as idades independentemente do sexo. Em Alcochete a participação feminina é mais intensa nas modalidades individuais, sobretudo no Ténis e Karaté. Foi também referido o pesado facto dos clubes acabarem primeiro com as equipas femininas quando surgem as dificuldades, pelo que há uma grande importância na tomada de medidas positivas para a prática feminina.
A vice-presidente da APMD insistiu numa ideia: um aspecto importante é não discriminar, e outro é, dada a desigualdade existente nomeadamente nos JDC, serem implementadas medidas positivas.
O Chefe de Divisão Francisco Pinheiro caracterizou a prática desportiva em Alcochete: 4000 pessoas que praticam desporto em 17000 habitantes. Trata-se do 5º Concelho com mais estruturas desportivas. Relativamente ao futsal referiu que a obrigatoriedade em utilizar apenas recintos cobertos dificultou a prática.
Relativamente à prática desportiva no 1º ciclo, Francisco pinheiro refere que, a autarquia promove concentrações com prática mista em várias modalidades.
A reunião foi concluída com a percepção de que se não houvesse o apoio das autarquias não haveria desporto e com a noção de que o Desporto Escolar é fundamental para que as autarquias possam fazer a ponte com o movimento associativo, para haver continuidade.
Foi consensual a conclusão de que o Desporto só é virtuoso se houver prática generalizada e não apenas para alguns.
O Vereador do desporto José Luís Alfélula e o Chefe da Divisão do Desporto Francisco Pinheiro vestiram a camisola ao lado da Vice-Presidente da APMD Isabel Cruz.
| < Anterior | Seguinte > |
|---|